Balanço Final e 13 beijos ninjas



Entrei no Orkut ano passado e as primeiras amizades que fiz por lá tinham algo em comum: assim como eu, todas gostavam de poesia e literatura.

Apesar de manterem comunidades sobre o assunto e colaborarem com escritores e poetas no Orkut, eu não me conformava com o fato de nenhuma daquelas minhas amigas escrever. Como se fossem meras guardiãs do templo ao invés de serem as próprias sacerdotisas, já que talento para tanto não faltava em nenhuma delas.

Aos poucos, fui convencendo uma a uma a escrever na Coisa, e o meu blog acabou se tornando um "portal" naquela época.

Como eu queria que minhas novas amigas fossem lidas pelo maior número de internautas possível, resolvi encorpar o site para atrair mais leitores e convidei vários escribas para colaborar com ele, num jantar que foi gentilmente oferecido pela Margoth.

Das 22 pessoas que se encontravam presentes (grave-se o número) no “modesto” cobertura que a Margoth tem em Ipanema, apenas ela e o Tito Lívio se comprometeram a colaborar. Todas as demais foram na esteira de um mau
caráter rancoroso que se chama Clóvis, dando a entender que eram gente muito olímpica para se juntar a simples mortais que estavam iniciando um portal. A arrogância daqueles com os quais eu sempre colaborei todas as vezes que fui solicitado quase me tirou do sério. Só não aconteceu mesmo porque alguém me arrastou para longe delicadamente na hora que sentiu que a temperatura ia esquentar. Foi melhor assim.
Um bom trago de wiski, dois Free longos em cima, a bela mulher ao meu lado na varanda com os cabelos revoltos ao vento, o perfume feminino que eu mais gosto, o mar no horizonte sob uma lua de prata mil, tudo é pretexto para um breve momento de felicidade, eu aproveitei e voltei refeito, como se nada tivesse acontecido.

 

Ao me despedir, disse a todos que compreendia a situação e que não havia problema algum, que eu iria convidar outros amigos que estavam querendo escrever na Internet e que eu seria capaz de entregar minha alma ao diabo caso algum deles se recusasse a colaborar comigo. Uma risada cínica ecoou na sala mas eu fingi que não ouvi e fui embora. Mal cheguei em casa e já fui me convidando. O primeiro a surgir foi o Humberto Serafim. Depois, como passar do tempo, vieram: Rebeca Jardim, Agamenon Groussakis, Juca Moraes, Luana Montserrat, Coreolano, Big Brother Onze e Meia, Papai Sabe Tudo, Laura Brasil, Jane Lee, Fred Mendes, Cláudia Zorny e finalmente o Mano Beto.

E foi assim que em 2006 eu fui 14 na Coisa. Ou seja, eu e mais os 13 nomes acima.

Balanço Final : Eu + 9 igualmente de carne e osso como eu (Flávia D, Karla Julia, Helena Jorge, Marielza, Hanny Meire, G. Meliska, Tito Lívio, Margoth Assumpção, Julie London) + os 13 que nasceram da minha imaginação = 23 colaboradores.

Número mais que razoável para um portal que estava
iniciando. Deu certo o ano inteiro. Não houve um dia em que o contador de acessos não estivesse lá em cima, e os leitores continuam mandando e-mails até hoje perguntado o que aconteceu com o portal A Coisa. Finalmente está dada a resposta, e também transmitido os agradecimentos finais nesse instante a todos os que acompanharam a página durante o tempo em que ela existiu.

Sem dúvida, os maiores cúmplices de um escritor são seus personagens. Entretanto, ao contrário do que a maioria imagina, nem sempre um autor se entende bem com as criaturas que brotam da sua imaginação. Sutil e difícil de explicar, mas é verdade. A ponto de às vezes ter de matá-las para não se ver numa enrascada qualquer, como no caso, por exemplo, de correr o risco de acabar perdendo amizades que lhes são preciosas e reais por causa delas.

Quase aconteceu na Coisa. Tudo certo no final, mas algo poderia ter fugido do controle antes do portal acabar. Tenho certeza que se a Rebeca Jardim existisse em carne e osso e eu, ela e a Flávia D nos encontrássemos em algum lugar, eu seria obrigado a me esforçar para evitar alguma faísca entre as duas. Ainda bem que a Rebeca Jardim era de mentira e se foi para sempre, nunca mais vai perambular pela Internet ou por qualquer outro lugar novamente.

Mas também não vou me furtar em dar uma bronca na Flávia D, ainda que tardia. Pelo carnaval que ela fez quando o Mano Beto resolveu escrever a coluna "Mistura Fina". Pura injustiça aquilo. Todo mundo esculachado por ela. Eu, o pobre do Mano Beto que também era de mentirinha, etc., não se salvou ninguém. Cada vez que lembro disso dou risada; a Flavia D é uma figura.

Na época, como vingança, meti um banner de "livros mais vendidos" do tamanho da Pedra da Gávea no portal da Coisa, porque se há algo capaz de enfurecer a Flávia é mexer com uma coluna sobre livros, sinopses, etc., que ela gosta e
desenvolve bem.

O portal da Coisa foi um sucesso enquanto durou. Tenho certeza que todos nós jamais esqueceremos dele, e neste exato momento acabo de lembrar que, além dos 13 nomes mencionados anteriormente, também fui mais um dentro do site: o "Peixinho", web-designer que escrevia e-mails para os colaboradores com um Português tão ruim que era como se ele não ligasse para mais nada além das imagens e vinhetas que produzia de madrugada. Também foi legal ser o Peixinho.

Hoje todas as minhas primeiras amigas do Orkut são escritoras atuantes. Todas elas têm seu próprio site na Internet, páginas das quais eu sou fã de carteirinha e leitor assíduo. Balanço Final fechado com lucro, alegria e saudade. 13 beijos ninjas, portanto, no coração de cada uma delas, com os carinhos de ouro e prata de sempre.

 

DAX
Jan/2007