De Karla para Caymmi



Meu amor pelo mar vem da minha infância e, em especial, de alguém com quem tive o privilégio de conviver e de ensinar-me o poder que existe em mergulharmos na fantasia cotidiana, na sonoridade das ondas do mar e na magia de rir e cantar.

Ainda criança, muitas vezes passava as tardes, com ele e a querida Stella, sua esposa, vendo-o pintar quadros. Seus temas são de um mundo mágico, onde sempre há lugar para a Bahia , lugar de suas raízes, e de um povo sem igual , que soube fazer DA mistura de raças sua filosofia de vida.

Lembro-me das vezes em que ficávamos na sala de seu apartamento em Copacabana, ele, com seu violão, dedilhando canções ou me contando histórias da Bahia, de Jorge Amado e de Caribé. E eu, sendo apresentada àquele mundo novo onde João Valentão e Marina dançavam juntos, ao som de seu violão e sendo abençoados por todos OS Santos e Orixás!

 

 

Ah, o mundo mágico de Caymmi. Não queria sair dali jamais!...

Certa vez, Dorival Caymmi recebeu essas lindas palavras de Carlos Drummond de Andrade: “Que são setenta anos, diante da melodia que não conta tempo, não envelhece, enquanto as modas de cantar se sucedem e quase nada de música existe mais do que uma estação? Não há dia seguinte para o cancioneiro de Caymmi. A flor que o vento joga no colo da morena de Itapoã não murchou ainda. Murchará um dia? Não creio. O que está na voz de Caymmi a gente guarda como faz com as coisas de estimação . E ao ouvi-la em Casa, na rua, no ar, é sempre a emoção de um bom encontro. Incorporou-se ao patrimônio de arte e coração do Brasil. Ninguém o apaga ou destrói."

Numa tarde, fomos ver o arrastão chegar no final da Praia de Copacabana, Posto 6, eu, com meu baldinho vermelho, para pegar muitos peixinhos, daquela rede enorme dos pescadores. Aconteceu que achei um polvinho. Pedi a Caymmi se podia levá-lo comigo e ele me respondeu “- Olha Karlinha,  pode levar, mas amanhã, a gente volta aqui, e traz de volta, que é para você devolvê-lo a Yemanjá !”

 

 

Karla

Gal Costa canta Caymmi

 

Quem não gosta de samba
Bom sujeito não é
É Ruim da cabeç
a
Ou doente do pé"
                    Dorival Caymmi

 

“Lamartine Babo perguntou o meu Nome e eu disse que era Dorival Caymmi. Ele gostou e brincou:  'É um Nome musical: Cai-em-MI. Achei muita graça."
Dorival Caymmi