MÁRIO QUINTANA

MARIO QUINTANA

 

Poeta  de um lirismo único, muitas vezes lúdico, quase infantil. Outras, de
Uma paixão sem grandes questionamentos, simples, como deveriam ser todas as
paixões.
Não escreverei aqui onde nasceu, nem dos livros que escreveu. Gostaria
Gostaria apenas que “sentissem” quem foi Mario Quintana nessa pequena amostra de 3 poemas. E de suas palavras.Palavras sussurradas ao pé do ouvido, bem baixinho....

“Bilhete”

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres, enfim,
Tem de ser bem devagarinho, Amada,
Que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

(Mario Quintana)

 

Mergulhar na leitura de Quintana é mergulhar em um mundo mágico, onde, as
Perninhas de grilos têm o poder de criar estrelas.

 

“Noturno Arrabalheiro”

Os grilos...os grilos...Meu deus, se a gente
Pudesse
Puxar
Por uma
Perna
Um só
Grilo,
Se desfiariam todas as estrelas!

(Mario Quintana)

 

Dizem que qualquer coisa atualmente, se desejarmos bem compreendê-la, deve
Ser submetida a variadas leituras.Acho isso uma grande bobagem, pois começa
Atomizando nosso olhar numa miríade de especializações. Quando leio
Quintana, leio uma vez e sua mensagem é tão clara que não preciso pensar
Muito para compreendê-la. Ela chega direto ao meu coração.
Que Mario Quintana é um poeta excepcional  não resta dúvida. Mas o mais
Interessante é a maneira como ele tece as palavras, fazendo uso de fios de
Pura emoção, presos a uma agulha mágica.

 

“Indivisíveis”

 

O meu primeiro amor sentávamos numa pedra
Que havia num terreno baldio entre as nossas casas.
Falávamos de coisas bobas
Como qualquer troca de confidências entre crianças de cinco anos.
Crianças...
Parecia que entre um e outro nem havi ainda separação de soxos
A não ser o azul imenso dos olhos dela,
Olhos que eu não encontrava em ninguém mais,
Nem no cachorro e no gato da casa,
Que tinha apenas a mesma fidelidade sem compromisso
E a mesma aninal - ou celestial - inocência,
Porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu:
Não, não importava as coisas bobas que disséssemos.
Éramos um desejo de estar perto, tão perto
Que não havia ali apenas duas encantadas criaturas
Mas um único amor sentado sobre uma tosca pedra,
Enquanto a gente passava, caçoava, ria-se, não sabia
Que eles levariam procurando uma coisa assim por toda a sua vida...

(Mario Quintana)

 

 “Amar é mudar a alma de casa”. (Mario Quintana)

by Karla