LUIZ OTÁVIO OLIANI

Nasceu a 12/04/1977 no Rio de Janeiro. É graduado em Letras e Direito.  Como poeta, tem presença marcante no movimento poético carioca a partir da década de 90. Em maio de 2000, foi homenageado com a medalha “Só para Lembrar” no recital “Versos Noturnos” organizado pela SPOC. É detentor de mais de 50 prêmios literários. Consta em mais de 53 antologias de literatura e em mais 300 publicações entre jornais, revistas e alternativos. Publicou dois livros pela Editora da Palavra: "Fora de órbita", 2007; recomendado pelo Jornal de Letras, em outubro de 2007 e citado com destaque no texto “O ano literário de 2007”, por André Seffrin, na Revista Literária da Academia Brasileira de Letras nº 56; "Espiral", 2009; citado como destaque em “O ano literário de 2009, o segundo semestre” publicado Revista Literária da Academia Brasileira de Letras nº 62 e na Revista dEsEnrEdoS e "A Eternidade dos Dias", Editora Multifoco, 2012. Em 2011, foi citado como poeta contemporâneo por Carlos Nejar no livro “História da Literatura Brasileira, da Carta de Caminha aos contemporâneos”, SP, Leya, p.1003, e em “33 motivos para um crítico amar a poesia hoje”, obra de Igor Fagundes, Editora Multifoco, RJ. Recebeu Moção de Louvor e Reconhecimento da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em novembro de 2011.

POEMAS DO LIVRO

"A ETERNIDADE DOS DIAS"

DE LUIZ OTÁVIO OLIANI, EDITORA MULTIFOCO, RJ, 2012.

Encantamento

no balde de juçaras
o homem busca
a água de que precisa

no terreno seco
procura o vento

encontra Deus
disfarçado de sabiá

 

Desatino

dentro de mim
uma caixa de sapatos
meia dúzia de pipas
um gibi

meu pai virou rio
deixou inventário

o que ficou
além da herança?

 

Construção

        A Lara de Lemos

a palavra é adaga
a cortar os pulsos

contra ela
milícias bombas
são inúteis

canhões não têm vez
sequer mordaças

a palavra não se cala
grita ejacula goza

a palavra é adaga
fere, mata
mas também é espera:

seu tempo é todo o tempo 

 

O Poeta e O Operário
          A Maiakóvski

o que difere
o poeta do operário?

na maquinaria
o trabalho braçal
dá lugar à escolha
de substantivos
verbos
metáforas

se um carrega cimento
terra areia
o outro esculpe o ser
talha a essência

se um usa espaçador de piso
espátula roldana
o outro opera em silêncio
na construção do poema

 

Semeadura
     “Já a poesia não se dá, como flor.
      Escrever se faz difícil
      passagem em caverna estreita.”
     Lucia Fonseca

o vazio
dá espaço à escuridão

olhos percorrem
o silêncio da caverna
em busca de letras

no signo de metáforas
as mãos ouvem as flores
Deus se cansa
de acariciar o vento

o resultado?
o poeta escreve

 

 

Em Nós

o que há em nós
é a espera
que não finda

o que há em nós
é o desejo
de ver no outro
o que nos falta

o que há em nós
é a espera do porvir
que nunca chega

o que há em nós
é a fome
que não sacia

 

Esboço Social
      “Os fantasmas têm que existir”
      Adalberto Marques

fantasmas
habitam pessoas
cegas surdas mancas

não ouvem a fome alheia
não tateiam a dor dos miseráveis
não enxergam o coração dos desvalidos

a sociedade se compadece
de ter e não de ser                                          

defeca arrogância
ri de si mesma
se julga superior

esquece que
os espelhos
ainda existem

©Luiz Otávio Oliani . Todos os direitos reservados

 

Contatos: oliani528@uol.com.brnte

Canção:"Correnteza", Edu Lobo