OBSÉQUIO



Empresta-me a lágrima dos teus olhos;
Esta que agora cai quente e dura,
Salgando o mel dos teus lábios trêmulos
E lacrando a tua face com a tristeza.

Permite-me com meus lábios sedentos
Recolhê-la dos teus abandonados lábios,
Num beijo que será de despedida,
Num beijo que será de desventura.

Mas se a desventura da despedida
Embrutece a linha suave da vida,
O sonho certamente é recobrável
Na peneira embriagadora da esperança.

Nada me custa ficar esperando teu regresso.
Poder um dia, de teus lábios sequiosos,
Recolher, em vez de sal, beijo e mel
Caindo dos teus olhos. Quentes e doces.

©Oswaldo Antonio Begiato.Todos os direitos reservados

Canção: "Eu te Devoro", Djavan