Maternidade

“Maternidade” tela de
Almada Negreiros

 


Meu doce e amado filho pequenino
Cuja mãozinha terna e graciosa,
Repousa no meu seio com carinho,
Tão leve como a pétala da rosa.


Assim, querido, no meu colo dormes,
Qual anjo delicado ou meigo querubim,
Caiu do céu como uma prenda enorme
Que Deus mandou, benévolo, para mim.


Ele é tão lindo quando adormecido,
Com mil sonhos na cabecinha...
Quando acordado, me olha enternecido,
Velo por ele, qual fada madrinha.


Um bem que veio ter à minha vida
Para alegrá-la e lhe dar prazer,
Uma emoção jamais por mim sentida,
Extravasou, então , pelo meu ser.


Tão bela obra,esta que se cria,
Eu e ele  unidos para sempre assim,
É uma ode de amor, esta poesia,
Que se eterniza, e jamais terá fim.


Paixão tão doce que estou sentindo,
Tal sentimento não posso conter,
Rindo ou chorando, este menino lindo,
Faz tão mais forte, meu coração bater!


Infinitas horas de colóquio manso,
Entre nós dois,como um lindo segredo,
Carícias ternas, das quais não me canso,
Um romance calmo de real enredo.


Não consigo descrever tamanho amor,
Que nos uniu desce a concepção
Plantei a semente, vi nascer a flor,
Que se abriu no útero e no coração.


©Mírian Warttusch. Todos os direitos reservados

Canção:"Before the Night Ends" Yanni