MARIA LUCILIA CARDOSO

Um dia de domingo nublado. De chuva que chegou retumbando no telhado em plena madrugada e que foi lavando os telhados, molhando o solo ressequido, banhando a natureza sequiosa. Enfim uma chuva pesada e muito abençoada, que chegou na hora em que o ar precisava ser umedecido e a alma gotejada por este bálsamo da natureza. Se tem a impressão nítida que ficamos mais leves e por que não dizer, de espírito limpo.

Não há a certerza de que ela irá embora. pelo contrário, deixa sinais que permanecerá o dia todo entre chuva, chuvisco ou mesmo a fina e fria garoa que confesso traz-me muita saudade da minha cidade natal.
Em domingos assim, com cara tristonha para alguns, eu em particular me sinto nostálgica e em paz. Velhas lembraças e, algumas, não tão velhas povoam a mente e inundam o coração e por vezes os olhos também. Mas como é bom termos o que recordar. Quem não tem, com certeza não viveu intensamente cada minuto pelo qual passou. Confesso que perdi alguns ao longo do tempo, que poderiam com certeza ter sido melhor aporveitados; talvéz pela inexperência ( afinal o passar dos anos é que nos torna mais sábios) de achar que tudo seria muito melhor no dia de amanhã; talvéz por achar que felicidade é algo distante que se tem de correr atrás, quando esta sempre entá ao nosso lado eternamente, basta que prestemos atenção ao nosso redor. Enfim, se perde muito tempo procurando o que está sempre embaixo de nosso nariz, e sabe por que? Porque não olhamos ao redor ou para baixo, estamos sempre com o olhar voltado para um horzionte distante, onde achamos estar a porta para a tal felicidade.
Hoje sei que ela é diária, e mesmo no meio da tristeza, podemos encontrar alguns motivos para sermos felizes e agradecermos por isso.
Por isso em dias como hoje, de chuva no telhado e de céu cinzento eu somente agradeço pelo que tenho, e até mesmo pelo que já tive e se foi. Se se foi é porque não me pertencia, era apenas uma fantasia vestida ao longo de um tempo para decorar uma fachada que não era minha essência. Que bom que o criador de me deu uma chance nova de descobrir que a felicidade está dentro de mim, que sou a pessoa mais importenate neste mundo para mim, e que só me amando poderei amar e ser amada, sem ser um estorvo ou obrigação na vida de alguém.

O que importa mesmo é que chove mansinho e isso refrigera a vida!

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Canção: " Um dia frio ", Djavan