DIÁRIO DO ÚLTIMO ANO - FLORBELA ESPANCA
1930

 

No seu Diário do Último Ano, que começa em 11 de janeiro,Florbela nos fala claramente de sua solidão e da falta de sentido em sua vida.

“11- “Attendre sem espérer” poderia ser a minha divisa, divisa do meu tédio que ainda se dá ao prazer de fazer frases. (...)quando morrer, é possível que alguém, ao ler estes descosidos monólogos, leia o que sente sem o saber dizer, que essa coisa tão rara neste mundo-uma alma- se debruce com um pouco de piedade,um pouco de compreensão, em silêncio, sobre o que eu fui ou que julguei ser E realize o que eu não pude, conhecer-me.”

“22-O olhar dum bicho comove-me mais profundamente que um olhar humano. Há lá dentro uma alma que quer falar e não pode, princesa encantada por qualquer fada má. Num grande esforço de compreensão, debruço-me, mergulho os meus olhos nos olhos do meu cão: tu que queres? E os olhos respondem-me e eu não entendo…Ah, Ter quatro patas e compreender a súplica humilde, a angustiosa ansiedade daquele olhar! Afinal…de que tendes vós orgulho, ó gentes?”

“28- Não tenho forças de energia, não tenho coragem de nada. Sinto-me afundar. Sou ramo de salgueiro que se inclina e diz sim a todos os ventos.”

 

Seu Diário termina no dia 02 de dezembro com uma única frase “e não haver gestos novos nem palavras novas”. Na passagem de 07 para 08 de dezembro, Florbela d’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos e é enterrada, no mesmo dia 08, no Cemitério de Sedin.

Clique na imagem abaixo e ouça poemas de Florbela Espanca

 

“6-A minha vida! Que gâchis! Se nem eu mesma sei o que quero.”

"13- o Luís tem no íntimo, embora não o confesse, um grande orgulho por não ser capaz de amar doidamente uma mulher. Como é que, sendo ele tão inteligente, não compreende esta verdade tão simples: que aquele que não tem nada para dar é que é pobre? Assim, nas suas aventuras sentimentais, dá, em troca de pedras preciosas,dinheiro falso e...como cada um dá o que tem, elas dão sempre pedras preciosas e ele coninua a dar dinheiro falso.E, quando chegar a morte, terá ignorado dois dos maiores prazeres da vida: o prazer de possuir pedras preciosas e o prazer de as dar."

E agora deixo para vocês meu poema preferido da Flor Mais Bela, declamado por Miguel Falabella
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Karla Julia