TONHO FRANÇA

Auto-retrato ( diálogo do último dia...)

 


Meus olhos, embora cansados,
Pressentem o que não podem ver...
Aprenderam com o meu silêncio
_rituais e rotinas de solidão_
Meus instintos guardam a memória dos amores
E de tudo o que me é caro e que meu coração_ já não suportaria.

E de nada me adiantariam, agora, lembranças,
Penitências, alegrias ou arrependimentos_
Estou recluso aos versos
E às minhas dores e culpas
Nos enfrentamos em calmos e intermináveis silêncios
Abertos, vulneráveis, extremamente íntimos
E despidos de profecias, santos defesas,
Num encontro definitivo, conclusivo, coeso,

Do qual nem poeta, nem poesia, saem ilesos...


©Tonho França. Todos os direitos reservados

Canção:”Libertango “, Astor Piazzola