Carta ao meu amor

Confesso-lhe meu amor, que certa vez acreditei, há muito tempo, que descobrindo os seus erros, eu poderia, quem sabe, justificar os meus próprios. Doce ilusão. A verdade é que nada que os outros fazem ou deixam de fazer justifica o que quer que seja.
Da mesma forma estabelecemos nossos próprios valores e em seguida, criamos regras de conduta que se amoldem a else, Contudo nesse momento, sinto que todos os valores, junto com os deuses que criei, desmoronaram como cartas de um baralho, dispostas em pé, lado a lado, caindo uma a uma. Agora, aparecem novos valores, verdadeiros, concretos, fruto do que construímos durante todos esses anos, e mais velhos do que as estrelas do céu e que suplicam a presença de um outro velho e eterno Deus.
Nunca é tarde para fazer certas coisas. Nunca é tarde para reconhecer seus próprios erros, para amar com mais intensidade quem sempre esteve ao nosso lado, para derramar minhas lágrimas nos seus ombros confortadores.
Se não fosse por você, nessa hora em que mais precisei de sua mão forte para afagar meus cabelos, acho que não teria conseguido. Mas você estava aqui.
Ao pensar nisso tudo sinto um novo amor por você, mais forte que o que sentia, mas que me faz uma nova pessoa, mais viva, mais satisfeita, mais feliz. .
Uma lágrima começa a rolar de minha face. E entrego-me ao pranto, silenciosamente, humildemente ....

Karla Julia




Canção: "I´ve never been to me", Charlene