O amor

ultrapassa as barreiras

do preconceito, está acima da nobreza,

tudo pode, tudo ousa, nada lhe serve de impecilho...

o amor é nobre e a nobreza é o

próprio amor!

Então...

 

A PRINCESA E O PASTOR

 

Reverenciam as flores do caminho,

Desanuvia-se o céu, polidamente

A avezita fagueira volta ao ninho,

Cantam os regatos em sua corrente

Palpita a brisa, num suave carinho

Cala a floresta, com respeito ardente!  

 

Nem a poeira da estrada, se levanta,

Quando a caleça real por ela passa

A natureza, imóvel, então se encanta,

Ante a princesa real, sorri com graça!

Num doce embalo, o reino se acalanta

E ao ranger das rodas, o tempo se compassa

 

Se espalha a relva, num tapete imenso

Tão sonhadora, está tão linda, a natureza!

Flores vicejam, com perfume intenso

Adornam, mimosas, a chegada da princesa!

Jamais se vira um verde assim tão denso

Vestindo as ramagens à espera da princesa!

 

Recanto terno e doce, em que os pastores,

Trazem as ovelhas para as recolher

Elas vêm balindo, quase em estertores

Chegam ao aprisco antes do anoitecer

Ali, princesa e pastor, morrem de amores

Esquecem o preconceito até o amanhecer...

 

No céu os círios, de púrpura, dourados,

Acendem-se, tremeluzindo de calor...

E os astros, curiosos, são chegados,

Na espreita da princesa e seu pastor

Que entre beijos, sorrindo, apaixonados,

Trocam mil juras de perpétuo amor

 

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A carruagem parte... deixa uma poeira

E a noite estrelada, difusa, se apagou...

Mesmo que o coração dos dois, assim não queira

Ela partiu para o castelo e o pastor ficou...

E a lua pálida, bem alto,  sorrateira,

Foi sumindo.... sumindo.... e o dia então chegou!

©Mírian Warttusch. Todos os direitos reservados