Nosso Calvário

Que contivesse mais que a vida,
quiseramos, nosso gomil...
Não fosse tortuoso e íngreme, o caminho!
Apenas as pétalas da  mimosa flor gentil,
Estivessem à margem, sem um só espinho.
O destino nos ensina, a ser alegres ou sofridos,
Se lábios sorrindo, olhos a chorar.
Sonhos dolentes, nos mantém adormecidos
E a solidão se abeira no triste acordar...
A luta que travamos,
ora vencidos, ora vencedores,
Nos põe em guarda para o amanhã;
Nos vamos retalhando, a sangrar,
e assim, mais sofredores,
Achamos toda essa batalha, vã!
Rumo ao cume do calvário,
nos batemos dia à dia,
Perdidos em meio ao caminho desditoso,
Paramos para olhar atrás...
mas que pesar... que nostalgia...
Apenas se inicia esse atalho sinuoso.
A subida, então, muito mais árdua nos parece, agora,
E a sede da chegada, não nos faz parar!
Nada queremos ver...
- do nosso próximo, nessa subida, a gente esquece... -
É muito longo o nosso caminhar...
às cegas, vamos indo...
já não mais sorrindo, estacamos...
Prosseguir não conseguimos... é melhor parar!
À beira dessa longa e tão difícil estrada,
Paramos...
e o nosso próximo, ali vem ter:
Enxuga os nossos pés sangrados... e a alma nossa, desolada,
Mesmo que não quisera, começa a compreender:
Quantos deixamos para trás,
entregues à própria sorte, como nós, agora
"Já se começa a fazer luz em nossa mente"
Fitando o topo desse horto,
que tão longinqüo, parecera, outrora,
Sentimos estar bem próxima a chegada.
Se para á matéria, ela é a extrema-unção, a morte,
Para a alma é o início glorioso da jornada!
Num esforço supremo, conseguimos vencer,
chegar ao fim desse caminho...
Já não sentimos mágoas nem antigas dores
No nosso caminhar, já não se toca o espinho,
Deixadas as trevas, vislumbram-se os fulgores!
Já não sentimos  o peso enorme  em nossos ombros
- Dentre a neblina, o vulto de Jesus! -
Soergue-se a alma, feliz, dentre os escombros,
Se banha e  resplandece de uma  intensa luz!

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O alvor da madrugada, baixa, como sempre, lento à Terra.
o ordálio não tarda... e em nosso brial,
Cientes das paixões, dos vícios que esta vida encerra,
A sentença esperamos... aguardamos o final...
O Altíssimo nos chama...nos acolhe... e a vóz tão doce de Jesus,
Se mescla ao cântico dos anjos, linda! Divinal...
"Sobre a peanha de ouro, se ergue agora a nossa cruz

©Mírian Warttusch. Todos os direitos reservados