Vale a Pena

Escrevi contos, poesias, e a muita gente mostrei
Nem todos apreciaram – deixa pra lá – eu pensei.
A um amigo mostrei – nele eu  confiava tanto
Foi claro ao ler meu poema, respondeu cheio de espanto:

 

Gaste melhor o seu tempo, não o perca assim, querida!
Tanto lirismo é bobagem, não leva à nada, na vida.
Escutei de muita gente, isso, e coisa bem pior
Mas jamais lhes dei ouvidos, fiz o que achava melhor.

 

Ficam alguns, extasiados, outros sem compreender.
Escritor incompreendido, tantos há, de se perder
Passou o tempo e jamais, deixei calar-se minha alma.
Fui fértil na minha escrita que tanto assim nos acalma.

 

Na casa do tal amigo, fiquei muito entristecida...
Sua mãe, tão alquebrada, velhinha, no fim da vida!
-O meu filho me esqueceu, mas li hoje esta poesia
Meu coração se aqueceu, tanta força ela irradia!

 

A folha amarelecida, pude ver em sua mão
Reconheci minha letra, disparou meu coração!
Dizia num certo trecho, que ela leu e gostou
“Até Jesus, tão amado, no calvário se entregou”

 

-Seu filho, minha senhora, vai voltar um belo dia
Não vai esperar em vão, atente para a poesia..
Como disse, um belo dia, realmente ele voltou,
Mas a sua velha mãe, não mais viva ele encontrou

 

Ao me ver, baixou os olhos, ali, fincados no chão
Mas eu o abracei e disse, que o tinha como irmão
O que tiver validade, a vida é que vai dizer.
Se para alguns, é bobagem, outros vai enternecer!

 

Criticar terreno alheio, é esquecer o nosso chão
Deixa a língua presa à boca, não dê sua opinião
Se um dedo apontar pra alguém, não é certo, bem se vê,
Os outros quatro, perceba, apontarão pra você!

©Mírian Warttusch. Todos os direitos reservados