METRÓPOLE

Sob os arranha-céus da cidade
observo, inerte, toda barbaridade
vejo os mendigos vagando pela praça central
implorando-nos um auxílio banal

Crianças desnutridas e abandonadas
cheirando cola pelas calçadas;
e o descaso nos impõe sua sina
com a violência  explodindo em cada esquina
 
Vejo o dia a dia do pobre trabalhador
explorado em troca de migalhas
derramando até a última gota de suor
ludibriado pelo patrão usurpador
 
Sinto a esperança de um povo
se esvair, ano após ano, em dor
sem saber em quem poder confiar
por culpa do político enganador
 
Vejo doentes e aposentados
à mercê de todo mal
Esperando uma providência
da previdência social
 
Um novo escândalo explode a cada dia
ao vivo,  pelo  rádio e  televisão
somos tolas testemunhas  caladas
de todas as formas sujas de corrupção
 
Os  professores honestos
já não podem mais lecionar
pois o salário pago pelo governo
não os pode sustentar
 
Parece interessante ao governante
que nossas crianças nada aprendam
pois um povo mal instruído
e fácil de ser enganado e corrompido
 
Olhando este panorama tão deplorável
é difícil bancar o inocente
pois, agindo dessa maneira,
serei mais um mero conivente

Até quando sucumbiremos  aos enganos
olhando este quadro desumano
sentindo esta  total ausência de amor
inertes e alheios a  estes gritos de dor?

©Valter Montani . Todos os direitos reservados