MENDIGO DE EMOÇÃO

Ah! Alma vã

Porque não esvais de vez?

Porque ficas a habitar meu corpo?

Porque juncas com lágrimas minha tez?

Porque insistes em ouvir a voz

Daquele que já não mais te fala?

Porque recordas o rosto em meio ao breu,

Porque soluças a saudade que não cala?

Porque embalas a paixão insana,

Do exílio imposto – da tranca no portão?

Porque apagas teu candeeiro de luz

Porque te sentas neste escuro porão?

Ah! Minha alma tão perdida,

Não ouvistes jamais a voz da razão.

Não entendestes dos sábios as palavras:

Não há portas e nem ferrolhos no coração.

Tanto o amor te eleva a condição divina,

Como te atira aos rés do chão.

Podes sucumbir por ele até a morte,

Mas sem ele és mendigo da emoção!

 

(25/11/06)

©Maria Lucilia Cardoso. Todos os direitos reservados