O NAUFRAGO!

Para onde foste razão de minha vida?

Aqui à deriva está uma alma,

Presa em uma ilha de solidão,

Da incerteza de teu amor cercada!

Não foste justo com este coração,

Não deixou ao menos um bilhete

Nem sequer uma singela explicação!

Simplesmente partiu. Aproveitou que eu dormia,

Um sono calmo e feliz.... Ah, contigo eu sonhava!

Sorrateiramente da cama saíste,

Caminhaste como pluma, não houve som algum.

A porta simplesmente abriu,

E como um sopro partiu!

Ao despertar nada encontrei...o travesseiro estava frio!

No meu coração uma dor lasciva surgiu,

Advinda da certeza do mais puro abandono!

O que te fiz eu?

Não fui teu acalanto no sofrimento?

Não fui teu mais doce sorriso de alegria?

Não fui teu gemido de prazer em meu corpo?

Não fui à magia de teu sono...a fantasia de teus sonhos?

Não te dei minha vida...minh’alma?

Não tornei você meu único senhor?

Tudo isso amor fiz!

E agora o que faço eu? Sou um naufrago a deriva,

A deriva em um mar turbulento,

Esperando teu retorno como uma nau perdida,

Sem leme...sem rumo...sem dono!

 

(13/05/04)

©Maria Lucilia Cardoso. Todos os direitos reservados